CORTE DE ESPINHOS E ROSAS: COMO NÃO NOTAMOS ISSO ANTES?

Ela roubou uma vida. Agora deve pagar com o coração. Corte de espinhos e rosas é primeiro volume da série best-seller, da mesma autora da saga Trono de vidro.



SINOPSE: Num mundo dividido uma muralha mágica separa duas espécies. De um lado, os feéricos vivem dentro de suas fronteiras cheias de beleza e mistério; do outro, os humanos possuem apenas medo, desconfiança e dificuldades.

Feyre, filha de um casal de mercadores humanos e falidos, se torna caçadora para sustentar a família. Dura como as flechas que carrega, letal como sua pontaria, ela abandona as fantasias de garota e as troca pela árdua vida nas florestas ao redor de sua aldeia.

Sua única alegria é observar as cores e sonhar em capturá-las. Mas, na floresta, coberta de neve tudo é branco e árido; como o ódio pelos feéricos que carrega no coração; Como as telas que não pode comprar ou colorir. Até que um enorme lobo cruza seu caminho… Sem hesitar, Feyre dispara… uma flecha. Um ato de rebelião.

Após matar o lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para além do muro, para uma terra mágica e traiçoeira – que ela só conhece por meio de lendas -, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, Grão Senhor da Terra Primaveril. Um feérico com um segredo, escondido sob uma máscara.  Ela descobre ainda que o então animal que havia assassinado era, na verdade, uma criatura mágica, uma fada zoomórfica transformada em lobo.

À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mund­­o das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Corte de espinhos e rosas é um livro de fantasia de tirar o fôlego. Memorável em todos os aspectos, com personagens complexos, enredo rico e um magnífico mundo de fantasia combinados impecavelmente para criar um romance épico.


Costumo dizer que o primeiro volume da saga Acotar (os símbolos do nome do livro em Inglês) é um verdadeiro conto de fadas. Bem, não é pra menos que a querida autora, Sarah J. Maas, se inspirou na trama de A Bela e A Fera. Mas, além da conexão que se pode estabelecer entre ambas as narrativas onde há a fera necessitando do amor da donzela para ser salva, é muito difícil identificar (nas duas) o início de um possível relacionamento abusivo mascarado

Focando em Corte de Espinhos e Rosas, que é o papo de hoje, temos a história sofrida de Feyre Archeron em sua adolescência interrompida pelo amadurecimento prematuro e pelas responsabilidades às quais ela precisou assumir para garantir a sobrevivência de sua família composta por, além dela, as irmãs Nestha e Elain, fora o Sr. Archeron, o pai das três garotas. 

Eu usaria o ramo das relações humanas em psicologia para avaliar com mais profissionalismo o ponto crucial que deu, de certa forma, um "impulso" nos tratamentos e tipos de "amor" que Feyre recebeu e passou a receber depois da morte de sua mãe. Mas, eu ainda não sou estudante da profissão, hahaha. 

O pai descarregou completamente as responsabilidades paternais em cima da protagonista; a irmã mais velha a destrata como se houvessem ressentimentos muito fortes em relação à Feyre (em alguns momentos nos faz questionar se existe algum tipo de afeto positivo) e a irmãs mais nova é a única "blindada". Em outras palavras, ela é a protegida de todos eles ali. E em se tratando de garotos, também não há muito o que comemorar. A única pessoa que Archeron achou ter amado, não retribuía os sentimentos da mesma forma que ela. 

Então, consequentemente, a protagonista não conhecia as camadas do amor em suas mais variadas formas. Não conhecia o que era ter alguém a protegendo como ela protegia. Não conhecia a preocupação sobre ela porque ela não tinha nem mesmo espaço para preocupar-se consigo. Sempre foi a sua família, suas responsabilidades, até a aparição do Grão Senhor da Terra Primaveril. 

Somos levadas a uma trilha de suspense, medo, curiosidade alarmante, tensão sexual, tristeza, choro e amor. Somos abraçadas pelas doçuras proporcionadas por Tamlin porque ele tratava a Feyre como nós queremos ser tratadas, como gostaríamos que tivéssemos sido tratadas pelos(as) que passaram pelos nossos corações. 

Nos apaixonamos por Tamlin porque conseguimos ver através dos "olhos" (uma menção para narrativa) quem ele era debaixo da máscara (literalmente) e por debaixo da fera quando ele se transformava nela.

Nós amamos tanto Tamlin que não percebemos como ele estava nos levando a um caminho ilusório de amor. 

Tamlin queria algo que só ela poderia dar para ele, coisa que poderia garantir a sua liberdade e a do seu povo. Ele tomou Feyre como sua propriedade. O Grão Senhor da Terra Primaveril era belo por fora e uma fera por dentro. E Feyre quase perdeu a sua vida devido a isso, se não fosse pelo Rhys, o Grão Senhor da Corte Noturna

Já no segundo volume, aquele relacionamento em seu princípio revela-se em agonia e sofrimento tanto oriundo da personagem vítima do abusos, quanto por parte de quem lê a descrição das cenas. O Grão Senhor Tamlin utilizava dos discursos de "eu só quero protegê-la" para, na verdade, trancafiá-la em prol de seus comandos. Feyre Archeron, como vítima, não sabia que isso era fruto de uma relação tóxica. Ela nunca havia conhecido o amor antes de Tamlin, então acreditava nas palavras do homem que amava.

Foi quando aconteceu o Rhysand, àquele que mostrou aos fãs de Sarah J. Maas que agradecemos aos homens que nos tratam bem, pelo básico, que é nos tratar bem. A gente não deveria agradecer. O Grão Senhor da Corte Noturna nos apresentou o verdadeiro amor, o respeito, a admiração e proteção que deveríamos estar acostumadas e não surpresas em presenciar ou receber. 



Não notamos isso antes porque um dia já fomos a Feyre Archeron. 


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