RESENHA DA SEQUÊNCIA: A BARRACA DO BEIJO



A Barraca do Beijo é uma sequência típica daqueles filmes em que repetimos por ser tão, tão bom. Como As Branquelas, mas é algo a não ser comparado, né?

Melhores amigos desde sempre, Elle (Joey King) e Lee (Joel Courtney) têm a inventiva ideia de gerenciar uma barraca do beijo durante um evento da escola. Para fazer da proposta um sucesso, a garota tenta convencer o galã Noah (Jacob Elordi), seu crush e irmão mais velho de Lee, a participar da brincadeira.

A primeira vez em que se assiste algo, seja filme, série, a leitura de um livro, é completamente diferente das outras vezes em que vemos novamente tais produções. De início, em um filme romântico por exemplo, inconscientemente fechamos os olhos para relacionamentos abusivo. Isso se dá porque somos levados à novidade do filme, claro, quando os atos parecem pequenos demais para serem levados em consideração (sabemos que não; os pequenos atos vão virando uma grande bola de neve). E não damos atenção ao contexto da coisa toda. É como alguém que não domina o inglês (estou inclusa) escutar Said Sum de MoneyBagg Yo, ou quaisquer outras músicas norte americanas, bastante estereotipadas. A gente não entende nada até de fato, olhar a tradução da letra.

O que quero dizer com toda essa descrição é que A Barra do Beijo parte I é bem misógina.

A fase de uma garota dos 14 anos aos 16, mais ou menos, é a mais conturbada no quesito transformação de corpo. É como se estivéssemos em transição de menina para mulher. Os peitos, as pernas, o traseiro, o quadril; tudo duplica de tamanho. Psicologicamente é um fardo, levando em consideração as pressões sociais sobre padrões de corpos femininos. E, quando a genética e hábitos alimentares não condizem com tais padronizações, a coisa fica ainda mais complicada.

Elle, papel interpretado pela Joey King, já começa a performance expondo essa fase das nossas vidas como menina para mulher. Desenvolve um corpo que deixa os caras de boca aberta após voltar das férias do colégio. Logo no início, um desses exemplos de adolescentes estúpidos (risos, desculpe a não passividade) bate na bunda de Elle como se ela tivesse virado para ele e dito: “Querido, venha aqui e seja o meu Christian Grey.” Foi um assédio bem escancarado no meio de todos os outros colegas das diferentes turmas. OBVIAMENTE que NÃO deve ser camuflado. O que quero dizer é que, é absurdo demais acreditar que o rapaz tenha feito isso como se fosse algo completamente normal. Do mesmo jeito automático em que ele faz os movimentos do banho, sabe?

O que segue nessa primeira produção da sequência são outros exemplares de tais objetificações. Inclusive, o romance que é construído entre Elle e Noah é com base em coisas como o Noah ter pedido aos amigos dele que não chamassem Elle para sair. A justificativa? Eles não prestarem para a Elle. E por mais que não fossem a melhor dose a ser tomada depois de um ano no deserto, a escolha teria que partir exclusivamente dela. Nenhum homem. Nenhum.

Mais pro final o telespectador começa a camuflar tais comportamentos e passa a desenvolver afeto pelo romance dos dois. Foi o meu caso, pelo menos.

Só pude enxergar o quão o primeiro filme ia contra as minhas ideologias quando o segundo foi lançado. E obviamente o Noah evoluiu MUITO como homem, juntamente com o teor da trama.

O que acontece é que Noah, interpretado por Jacob Elordi, foi estudar em Havard e pela primeira vez em muito tempo Elle teve que se ver sozinha. Não mencionei antes, mas também faz parte do elenco o Lee Flynn, seu melhor amigo, e a sua namorada Rachel. Falando neles, é preciso que vocês saibam que esse casal surgiu da Barraca do Beijo, o evento em si. Então, ela passa mais temo com os dois amigos do que antes. Justamente por estar sozinha. Rachel passa a se incomodar porque seu namorado não lhe dá prioridade como dá à Elle. É nessa confusão que ela se aproxima de Marco, o aluno novo tremendamente atraente, cantor e dançarino. Juntos, eles treinam para uma competição grandiosa que tem como premiação um valor também bem grandioso (quando você assistir, verá o motivo pelo qual isso era tão importante para Elle).

Se conhecem, se conectam. Afinal, dançar necessita dessa ponte de sentimentos entre duas pessoas. É perceptivo que ambos começam a sentir algo que foge da capacidade de explicação de Elle. Seu coração estava a quilômetros de distância, em Boston. Mas parte dele estava batendo por Marco.

Mas Noah também deixou a desejar, viu? Eu certamente ficaria louca se encontrasse o brinco de uma outra mulher debaixo da cama do meu namorado, ou se descobrisse ao ligar para ele, que ele andava mentindo sobre estar saindo em grupo, quando na verdade estava apenas com a dona do brinco. Fora outras suspeitas que fez a maioria dos fãs da sequência se revoltar, com toda certeza, contra Noah. E também, né, vamos combinar... não é difícil se apaixonar pelo Marco Valentin Peña.

O contraste gigantesco entre a parte I e ll é que no segundo não há a misoginia. Há amadurecimento, trata de relações à distância, fala também sobre paixões e corações divididos. Retrata a homossexualidade e o medo de dois personagens se assumirem. Fala de amizade — isso se manteve, na primeira produção foi temática principal. E não posso deixar de lado; quando se trata em retratar as universidades do exterior, dá até uma invejinha dos critérios de admissão dos norte-americanos.

E ah! Que trilha sonora gostosa de se ouvir.

Escutem Will Post/ Wonderlust e Walk the moon/Lost in the wild. São minhas canções prediletas (ambas foram momentos entre Elle e Marco).

Aguardo ansiosamente pela terceira parte que será lançada em meados de 2021.

Está próximo.

Bem, até o próximo post. 

 

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