É ASSIM QUE ACABA: UM LIVRO PARA RIR E CHORAR
Gatilho: Abuso físico e psicológico; violência doméstica.
A verdade nua e crua (uma referência para algo importante na
trama) é que É assim que acaba não é um livro de mil rosas como indica o nome
de flor da protagonista. Nascida e crescida em Maine, um estado americano, Lily
se mudou para Boston assim que teve a chance.
De cima do telhado, entre devaneios e relembrando do funeral
de seu pai completamente abusivo, ela conhece Ryle Kincaid. Arrogante, potencialmente
irritado e irresistivelmente lindo, um médico cirurgião em seu último ano como
interno.
Logo cogitei a possibilidade de estar diante de uma fanfic
de Meridith e Derek, de Greys Anatomy. Tanto a Meridith quanto Lily são muito
ferradas psicologicamente e tanto Derek quanto Ryle correspondem ao estereótipo
perfeito que criam para médicos homens. A diferença entre os dois é que Derek
nunca levantou a mão para Meridith e também nunca tentou a estuprar.
Sim, pessoal. Isso não é um romance saudável. É uma relação
que se constrói aos poucos, nos conquistando, e depois nos destrói, assim como
destruiu o coração e mente da protagonista.
Nessa trama também temos Atlas Corrigan. O primeiro amor de
Lily.
Eles se conheceram quando ainda eram muito jovens. Ele era
de maior, em torno de 19 anos e ela 15, se não me engano. O rapaz se refugiava
em uma casa abandonada em frente à casa de Lily e, quando ela percebeu que o
garoto de roupa e cheiro sujo morava lá, foi automaticamente atraída para perto
dele. Para ajudá-lo. Nisso, desenvolvem uma relação de melhores amigos que mais
tarde se torna um tanto quanto amorosa.
Conhecemos Atlas do passado nas leituras do diário que a
própria Lily faz, já no presente. Descobrimos também os motivos pelos quais
eles se desencontraram e os motivos pelos quais Atlas saiu tão abruptamente da
cidade natal dela.
Não posso negar que me apaixonei de cara por Atlas. E sabia
que ele chegaria em algum momento. Estava muito, muito ansiosa por isso.
Principalmente quando os indícios de relacionamento abusivo começaram a
aparecer.
Sobretudo, a força da Lily é de uma fonte imensurável. Ela
reviveu as mesmas ações do pai dela contra a mãe e se culpou por ter sido fisicamente
agredida inúmeras vezes. Ela se culpou por persistir mesmo com os sinais
rondando sua mente. Ela se sentiu sem chão quando descobriu a gravidez na noite
em que foi quase estuprada por Ryle Kincaid. Ela sobreviveu, renasceu como mãe
e como mulher e depois, com cicatrizes, tentou restaurar sua vida.
E mais: é uma história que se torna ainda mais delicada aos
nosso olhos quando chegamos ao final; é um retrato da vida da autora Colleen Hoover.
Então, é isso.
Até a próxima resenha!



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